Encontros Familiares



Caso Clínico – O casal que não tinha tempo para si próprio

O caso que seguidamente vos irei apresentar pretende chamar a atenção para uma situação que várias vezes ocorre no seio familiar e que poderá ter repercussões negativas futuras se não forem adotadas algumas estratégias de resolução.
Conheci o casal Antunes (nome fictício tal como todos os outros a que farei referência neste blog) no âmbito da minha experiência enquanto psicoterapeuta. O acompanhamento surgiu porque a relação entre ambos se estava a tornar cada vez mais conflituosa: desde o nascimento do seu filho que o casal não tinha tempo para namorar, existiam muitas dificuldades ao nível da comunicação e Ana manifestava o desejo de ter outro filho ao contrário de Igor.
Dado que o discurso dos cônjuges se centrava muito em acusações e desqualificações mútuas, foi importante reenquadrar tais conflitos e devolver-lhes que a guerra entre ambos assentava na vontade e luta de cada um em ser amado pelo outro, uma vez que não têm criado espaços para esse amor se manifestar. Por outro lado, as “queixas” do casal eram sobretudo relativas a aspetos normativos da fase do ciclo vital em que se encontravam (“família com filhos pequenos”), tais como falta de tempo, interferência da família de origem (intromissão dos avós), regras e limites na educação de uma criança, etc. Ao longo da terapia foi conveniente a descentralização desses aspetos e fazer perceber ao casal que, naquele momento, o fulcral era trabalharem o seu amor e a relação conjugal, dado que as funções enquanto progenitores estavam a ser devidamente executadas.
Paralelamente, foi importante transmitir-lhes a ideia de que as fontes de stress se poderiam transformar em fontes de apoio (aproveitar a ajuda dos avós, por exemplo), encarando-as não como um foco de competição entre eles mas como uma ajuda para a concretização do amor e de uma boa relação. Ou seja, nestas situações é fundamental que haja discussões produtivas entre o casal, capazes de promover a colaboração e a cooperação entre ambos.
Perante crises como esta é fundamental trabalhar: a qualidade da relação conjugal anterior ao nascimento do filho (não descurando a “chama” e a paixão inicial), a qualidade do afeto conjugal presente que conta com a presença de um novo elemento (tríade) e a relação entre a díade conjugal e a díade parental (ou seja, a difícil função de ser pai/mãe e marido/esposa ao mesmo tempo).

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